Arquivo

junho 2016

Posts em junho 2016.

Sobre cavalos

Que o ser humano deveria ser mais humano todos sabemos, mas não é sobre a humanidade que quero falar agora. Quero falar sobre cavalos. Volte alguns séculos no tempo, como tenho feito ultimamente ao prestar mais atenção à minha coleção de livros e filmes épicos, e repare que muitas vezes no dia a dia nós nos assemelhamos aos cavalos.

Sobre cavalos

Enquanto reis se esforçavam para manter o poder sobre seus reinos e cavaleiros travavam batalhas mortais para defender os interesses dos próprios reis, qual era o papel dos cavalos em relação às guerras? Eram criados e adestrados com apenas um intuito: servir. Se um cavalo era ferido em batalha era também, e consequentemente, sacrificado. Não para evitar seu sofrimento mas sim porque já não tinha mais serventia. Ninguém sentia dó ao matar um cavalo, até porque atingindo o animal tornava-se mais fácil fazer o mesmo com o inimigo.

Percebem? Nós somos cavalos. Vivemos uma guerra diária onde a disputa de poderes nos divide em dois grupos: os úteis e os inúteis. Você pode ter certeza absoluta de que é importante e, no momento seguinte, descobre que já não passa de algo sem serventia que será sacrificado para que não atrapalhe. E o mais triste é que estamos em pleno século XXI, nos chamados tempos modernos, mas ainda somos cavalos.

Senhora do Tempo

Se eu fosse Senhora do Tempo as horas não passariam tão devagar como estão passando agora, nem passariam tão depressa como aconteceu antes. Elas teriam sua certa duração, de acordo com a minha vontade. Poderiam até mesmo parar no instante em que eu desejasse, sob a influência de um estalar de dedos, dos meus dedos, esses mesmos que escrevem agora para eternizar aquilo que, de outra forma, ficaria apenas na lembrança. Se eu fosse Senhora do Tempo o passado não seria fixo, não seria imutável e talvez sequer fosse passado. Eu poderia conjugar os verbos no tempo que eu bem quisesse (afinal, eu seria sua Senhora) e não precisaria esperar por um futuro que quero viver agora. Não, eu não precisaria nem mesmo esperar. Se eu fosse Senhora do Tempo aquele momento se repetiria por muitas, muitas e muitas outras vezes. Eu o prolongaria, brincaria com ele como uma criança, sem pressa, sem compromisso.

Senhora do Tempo

Depois de reviver as sensações, cada uma delas por quantas vezes eu sentisse vontade, eu colocaria o tempo em suas mãos. Seus dedos estariam sobre o relógio e você poderia brincar de ser Deus. Então, o que você faria? Teria coragem o suficiente para apressar as coisas, pular etapas, dar um salto maior do que é capaz agora? Ou moveria os ponteiros ao contrário para assim poder fazer tudo de forma diferente? Enfim… Se eu fosse Senhora do Tempo, não estaria fazendo tais perguntas. Eu teria todas as respostas sem precisar perguntar.

Mas o tempo é real e é cruel, ele finge não passar nunca ou passa rápido demais e esses movimentos nunca estão de acordo com a nossa vontade. Nem com a minha, nem com a sua. Então, enquanto fico aqui pensando no Tempo como se sua Senhora eu fosse, ele insiste em provar que me bastaria ser Senhora de Mim.